quarta-feira, 7 de agosto de 2013

São "Estórias" do nosso Rosa.


Primeiras Estórias
Editora: Nova Fronteira


E como não falar novamente do nosso querido Guimarães Rosa? 
Hoje, quero comentar um pouco sobre mais um dos seus livros, o lindo " Primeiras "Estórias". Nele, Rosa reuniu 21 de seus contos, e posso dizer que sãos contos inesquecíveis.  Primeiras, porque sãos os primeiros conjuntos que João Guimarães Rosa formou, e Estórias, por tratar-se de algo que não acontece completamente, pois são acontecimentos de própria invenção, ficção. 
 Os contos presentes no livro são:  
1º "As margens da alegria", um garotinho  descobre novas coisas que lhe causam alegria, e coisas que ele já conhece são desfeitas, causando tristeza profunda.

2º "Famigerado":O jagunço Damázio fica "preocupado" ao ouvir a palavra "famigerado" de um rapaz que faz parte  do governo e vai procurar o farmacêutico,  que para ele é a pessoa que é mais " sabido", para saber se aquele termo(famigerado) era um insulto  do moço contra  o jagunço.

 3º"Sorôco, sua mãe, sua filha" : Um trem aguarda a chegada da mãe e da filha de Sorôco, aonde irá çeva-las a um manicômio em  Barbacena. Durante a viagem até a estação, levadas por Sorôco , elas começam surpreendentemente a cantar. Quando o trem parte, Sorôco volta para casa cantando a mesma canção, e os amigos da cidadezinha , solidariamente, cantam junto.

4º "A menina e lá".(Posso dizer que esse é o que mais me encanta)Nhinhinha era uma menina que  possuía "poderes" paranormais. Tudo o que ela desejava, por mais estranhos que fosse, sempre se realizava. Isolados na roça, seus parentes guardavam em segredo o fenômeno, para dele tirar proveito. Tudo o que a menininha falava, tornava-se o seu desejo e se realizava. Era tão certo que quando Nhinhinha pediu um caixãozinho cor-de-rosa com enfeites brilhantes ninguém percebe que o que ela queria era morrer... e o restante da história, só lendo rsrs.

5º "Os irmão Dagobé": O valentão Damastor Dagobé, é morto por  Liojorge.  No arraial, todos dão como certa a vingança dos outros Dagobé : Doricão , Dismundo e Derval. A expectativa do acerto de constas cresce quando Liojorge comunica a intenção de participar do enterro de Damastor. Para surpresa de todos, os irmãos não só concordam, como justificam a atitude de Liojorge, dizendo que Damastor teve o fim que mereceu.

6º "A terceira margem do rio": Um homem abandona família e sociedade, para viver à deriva numa canoa, no meio de um grande rio. Com o tempo, todos, menos o filho primogênito, desistem de apelar para o seu retorno e se mudam do lugar. O filho, por vínculo de amor, esforça-se para compreender o gesto paterno: por isso, ali permanece por muitos anos.  E para surpresa de todos, no fim, o filho acaba assumindo o lugar do seu pai, o qual até antes não entendia. ( Emocionante, eu ameei, o meu segundo favorito :X)

7º "Pirlimpsiquice": Fala sobre um grupo de colegiais que estão ensaiando para um drama para apresentá-lo na festa do colégio. No dia da apresentação, há um imprevisto, e um dos atores  falta. E como já estava tudo pronto e não tinha como cancelar, eles acabam fazendo uma apresentação inesperada!

8º "Nenhum, nenhuma" : Uma criança, vai passar férias numa fazenda, em companhia de um casal de noivos.O casal interrompe o noivado, e o menino, que conheceu o Amor observando-os, volta para a casa dos seus pais. Chegando lá, acaba ficando bravo com seus pais, por terem tornado seu casamento totalmente um desastre.
9º "Fatalidade": Zé Centeralfe procura o delegado de uma cidadezinha, queixando-se de que Herculinão Socó vivia cantando sua esposa. O casal acaba mudando do arraial. E não adinata nada, o  Herculinão foi atrás(rsrsr). O delegado, misto de filósofo, justiceiro e poeta, depois de ouvir pacientemente a queixa, procura o conquistador e, sem a mínima hesitação, mata-o, justificando o fato como necessário, em nome da paz e do bem-estar do universo.

10: "Seqüência" : Uma vaca fugitiva retorna a sua fazenda de origem. Um vaqueiro então resolve ir atrás da vaquinha. Ao chegar à fazenda para onde a vaca retornara, o vaqueiro descobre que havia outro motivo para sua tão súbta vontade de cumprir esta tarefa. a filha do fazendeiro,  é o que lhe enpulsionou durante todo o processo, e foi com ela que o rapaz se casa.


11º "O espelho" : Um sujeito se coloca diante de um espelho, procurando reeducar seu olhar. apagando as imagens do seu rosto externo. Depois de algum tempo, ele realmente chega a conhecer sua fisionomia mais pura, a que revela a imagem de sua essência pura e verdadeira...

12 - "Nada e a nossa condição" :O fazendeiro Tio Man 'Antônio, com a morte da esposa e o casamento das filhas, sente-se envelhecido e solitário. A seguir, divide sua fazenda em lotes e os distribui entre os empregados, estipulando em testamento uma condição que só deveria ser revelada quando morresse. Quando o Tio Man morre, os empregados colocam seu corpo na mesa da sala da casa-grande e incendeiam a casa, pois a cerimonia de cremação era a sua vontade. ( rsrsrs)

13º "O cavalo que bebia cerveja": Giovânio era um velho italiano de hábitos excêntricos: comia caramujo e dava cerveja para cavalo. Isso o tornara alvo da atenção do delegado e de funcionários do Consulado, que convocam o empregado da chácara de "seo Giovânio", Reivalino, para um interrogatório. Reivalino é incumbido de enterrá-lo, conforme a tradição cristã. Com isso, afeiçoa-se cada vez mais ao patrão, a ponto de ser nomeado seu herdeiro quando o italiano morre.

14º - "Um moço muito branco" :Os habitantes de Serro Frio, numa noite de novembro de 1872, têm a impressão de que um disco voador atravessou o espaço, depois de um terremoto. Após esses eventos, aparece na fazenda de Hilário Cordeiro um moço muito branco, portando roupas maltrapilhas. Depois de fatos igualmente miraculosos, o moço desaparece do memo modo que chegara daí todos ficam confusos com esse acontecimento.


15 "Luas-de-mel" : Joaquim Norberto e Sa- Maria Andreza recebem em sua fazenda um casal fugitivo, versão sertaneja de Romeu e Julieta. Certos de que os capangas do pai da moça virão resgatá-la, todos se preparam para um enfrentamento: a casa da fazenda transforma-se num castelo fortificado. É nesse clima de tensão que se celebra o casamento dos jovens, a que se segue a lua-de-mel, que acontece em dose dupla: dos noivos e do velho casal de anfitriões, cujo amor fora reavivado com o fato. Na manhã seguinte, a expectativa se esvazia com a chegada do irmão da donzela, que propõe solução satisfatória para o caso.


16º "Partida do audaz navegante" : Quatro crianças, três irmãs e um primo, brincam dentro de casa, aguardando o término da chuva. A caçula, Brejeirinha , brinca com o que lhe dava mais prazer: as palavras. Inventa uma estória do tipo Simbad , o marujo, que ganha novos elementos quando todos vão brincar no quintal, à beira de um riacho.

17 "A benfazeja": Mula- Marmela era mulher de Mumbungo , sujeito perverso que se excitava com o sangue de suas vítimas. Esse vampiro tinha um filho, Retrupé , cujo prazer só diferia do do pai quanto à faixa etária das vítimas: preferia as mais frescas. Apesar de amar seu homem e ser correspondida, Mula-Marmela não hesitara em matá-lo e depois cegar Retrupé, de quem se torna guia. Passado algum tempo, resolve assassiná-lo: percebe que esta seria a única maneira de refrear o instinto de lobisomem do rapaz.

18º "Darandina".  Ummoço  bem- vestido rouba uma caneta, é surpreendido e, para escapar dos que o perseguem, escala uma palmeira. Uma multidão acompanha atentamente os esforços das autoridades, que procuram convencer o rapaz a descer. Resistindo, ele diz frases desconexas e tira toda a roupa, revelando notável equilíbrio físico. A sessão de nudismo leva um médico a nova tentativa de diálogo. Ao se aproximar, o médico percebe que o sujeito voltara à normalidade e que, envergonhado, pedia socorro.

19 "Substância" : O fazendeiro Sionésio apaixona-se por sua empregada Maria , que foro abandonada pela família e criada pela peneireira Nhatiaga .  Sionésio sente que a paixão é maior que o preconceito e pede-a em casamento sem importar-se com a sua antecedência
 
20º "Tarantão, meu patrão": O fazendeiro João tem uma surpreendente explosão de vitalidade em sua velhice caduca. Como se fosse um Quixote, determina-se a matar seu médico: o Magrinho, seu sobrinho neto. Ao longo da viagem rumo à cidade, recruta um bando de desocupados, ciganos e jagunços, que acatam sua liderança, pelo carisma natural do velho, daí  é que começa as surpresas do conto...

21  "Os cimos": O menino da primeira estória revela agora a face do sofrimento, causado pela doença da Mãe. Durante  seus últimos dias de férias são de enorme  preocupação. Mas tudo fica bem melhor,  quando o Tio o procura para comunicar a melhora da Mãe, o menino experimenta momentos de êxtase, pois só ele sabia do motivo da cura...



Claro, que todos sãos lindos, mas A menina de lá e A  terceira margem do rio, sãos emocionantes, pelo menos achei. Porém, recomendo todos, afinal, Guimarães é o nosso Rosa!
 
Ps. Terminando a leitura do livro: Sagarana, e assim que terminar, estarei aqui, comentando um pouco sobre mais uma das belas artaes do nosso João Guimarães Rosa.

Abraços!


 

terça-feira, 30 de julho de 2013

É do nosso ROSA!


João Guimarães Rosa, um mestre que me inspira. E hoje um pouco sobre sua obra mais linda: Grande Sertão: Veredas.

Grande Sertão: Veredas! Que palavra poderia definir esta perfeita obra do nosso saudoso João Guimarães Rosa? Como explicar o grande poeta que Rosa foi e sempre será para nós?    
Grande Sertão: Veredas é sem dúvidas, uma das mais importantes obras presentes na nossa literatura brasileira, sua forma original, sua linguagem, seus traços estilísticos, a forma como se foi dado cada momento da obra, à torna simplesmente encantadora. GSV[1] é um romance que veio para marcar a nossa literatura brasileira. Publicado em 1956, o romance roseano tem a perfeita e interessante dimensão, são 600 páginas e não tem capítulos. O grande Rosa, trouxe para sua obra GSV os traços linguísticos presentes no modernismo, mas não deixou de lado os traços temáticos regionais, tornando-a assim, uma obra inovada.   
Grande Sertão: Veredas  trata-se de uma bela narrativa, com a predominância de um dialogo monologo, em que Riobaldo, o protagonista da obra Roseana, relata  suas aventuras vividas em sua época de jovem jagunço, e entende-se que ele conta essas histórias para um conhecido doutor que chega para visita-lo em sua fazendo, onde ele mora desde que abandonou sua vida de lutas como jagunço. 
Na obra é narrado à história da jagunçada que Riobaldo fazia parte, e juntamente com essas histórias de lutas, o grande amor que existe entre Riobaldo e Diadorim toma conta de toda a história. Diadorim era uma moça filha de fazendeiro (Joca Ramiro), e que se vestia de homem para poder lutar juntamente com o bando de Riobaldo, em que ela chegou a torna-se “braço direito” quando ele assumiu o comando do bando.
Em GSV, p sertão é o palco principal em que Guimarães faz “o mundo” que se passa todo enredo. Desde o local de encontro de Riobaldo e Diadorim, até as veredas que são mencionadas como local onde ocorre um pacto com o diabo ( Lendo, tudo é esclarecido, uma boa sugestão para instigar o desejo de vocês lerem a obra). Esses espaços criados nesse “mundo roseano” que é o sertão, é possível encontrarmos morte, limitação de forças, desejo de vinganças, conquistas, derrotas, certezas, dúvidas, medos, esperanças, desilusões, Deus, demônio, bem, mal, realidade, ficção, e principalmente batalhas tanto carnais, como sentimentais, Amor e ódio, mas tudo vivenciado e criado com o alvo de proporcionar a nós leitores, o grande e precioso trabalho do nosso querido João Guimarães Rosa.    



Grande Sertão: Veredas não é a única obra de João Guimarães Rosa, mas posso afirmar que é a mais bela de todas, são batalhas e amores, sãos linguagem e ditados, é um mundo imaginado que tem tudo haver com o mundo real, é um verdadeiro circulo de descobertas e encantamentos. Vale muito apena ler, muito mesmo. 

Para reflexão, nada melhor do que um pouco do GSV do nosso Rosa:
“O senhor... Mire veja: o mais importante e bonito, do mundo, é isto: que as pessoas não estão sempre iguais, ainda não foram terminadas - mas que elas vão sempre mudando. Afinam ou desafinam. Verdade maior (GSV, 2001, p. 39).”



Abraços, Nanda' Figueirêdo.


Fonte de ajuda para escrever: Apostila recebida em aula no meu curso de Letras e leitura da obra. :)

[1] GSV: Grande Sertão: Veredas.

segunda-feira, 29 de julho de 2013

Palavras não são apenas palavras

O que são as palavras? Ah! As palavras são poderosas armas, e que se soubermos usa-las, elas podem tornassem verdadeiras aliadas. As palavras muitas vezes nos fazem enxergarmos a alma, compreender  tudo o que nos cerca, e ainda continuam ali, paradas, porém, fazendo nossa mente girar feito roda. As palavras têm o poder de mudar situações, momentos e até mesmo rumos de vidas. Elas são a melhor arma de um escritor, melhor ou não, amiga de um leitor, psicólogo perfeito para a dor, e até mesmo  inexplicável cura para o Amor. E quem usa as palavras com sinceridade é aquele escritor que existe dentro de cada um de nós, afinal, escritor não é só aquele que já escreveu vários livros, nem aquele que está sempre na mídia. Escritor é aquele que enxerga as palavras como se fossem almas, como se fossem amigas, como se fossem essenciais, e no final acabam concluindo que na verdade elas são.
 

-Nanda Figueiredo